RANGEL LIMA - Psicólogo, Coach e Palestrante

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Como vencer a TRISTEZA DE NATAL?

28/11/2019

O final de ano é um período de alegria e prazer para muitos. Reencontro de famílias, cidade iluminada, decoração, presentes... enquanto uns adoram passar esse momento com entes queridos, outros sentem uma melancolia sem igual, apresentando choro frequente, isolamento, tristeza sem motivo aparente, ansiedade, dentre outros. Esses sinais podem ser indícios de ‘depressão natalina’.

Se você ou alguém que você conhece apresentar alguns desses sintomas, é importante fazer um autoquestionamento: Isso ocorre com frequência? Traz transtornos para minha vida? Quanto tempo dura? A depender das respostas, pode ser apenas tristeza, mas, caso contrário, pode ser “christmas blues”, a chamada ‘depressão natalina’.

Embora o Natal seja uma data de celebração, há pessoas que costumam sentir tristeza durante essa época. Ela pode aparecer misturada com alegria ou sozinha e mudar de um ano para outro. A explicação para isso reside paradoxalmente no fato de que se trata de uma data de festa. Isso porque o período faz emergir aquilo que não vai bem na vida de alguém e que, portanto, a impede de celebrar.

Há várias razões ou circunstâncias que desencadeiam essa tristeza natalina, mas os principais motivos:

Culpa e frustração - É no final do ano que começamos a ver quantos projetos e metas não foram realizadas, aumentando o sentimento de incapacidade, insegurança e culpa. Junto com isso, o medo de não conseguir realizar as metas do próximo ano e a baixa autoestima podem gerar ainda mais angustia.

Medo da rejeição - Em um momento em que as pessoas trocam afeto, presentes e se unem, muitas pessoas podem ser dominadas pelo medo de não receber presentes, de não estar perto dos familiares e de não ser importante para ninguém. Com isso, se deprimem e acabam se isolando.

Traumas do passado e perdas - Passar o Natal sozinho, perder um ente querido em uma data próxima ao Natal, brigas de família ou passar o Natal longe dos pais, são alguns traumas que ficam marcados e acabam sendo associados à data. Com a proximidade do Natal, esses traumas vêm à tona. Natal sugere encontro, por isso pessoas que sofreram perdas, seja por morte ou separação, costumam sofrer nessa época.  

Conflitos familiares - Para muitas pessoas, o Natal simboliza um encontro com a família e esse clima pode ser uma das causas da tristeza natalina. As pessoas que tem conflitos com familiares sentem que o encontro é obrigação, o que desencadeia raiva e sofrimento.

Culto a felicidade extrema - A mídia, bem como algumas religiões, apresentam uma formatação padrão de Natal que, geralmente, difere da realidade da maioria das famílias. Isso, muitas vezes, gera frustração para adultos e crianças, que também podem apresentar transtornos depressivos, ou, mesmo, tornarem-se adultos que trarão a certeza de que o Natal não passa de um momento de frustração, mentira, etc.

Já vimos as causas, agora vamos ver o que pode ser feito para superar a depressão natalina.

A depressão natalina se difere de, apenas, tristeza ou melancolia. Ela tem que atender alguns critérios como: duração dos sintomas, período em que ocorre e frequência. Escolhas e ações simples podem melhorar, significativamente, o dia a dia de quem apresenta este transtorno. Veja algumas dicas:

1. Quando for planejar o ano novo, estabeleça metas tangíveis que, mesmo que dependam de esforço e determinação triplicados, são possíveis. Isso evita a frustração.

2. Procure fazer uma atividade física. Um dos sintomas da depressão é a perda de energia e de interesse por atividades físicas. Porém, é neste momento que os esportes contribuem positivamente para a diminuição do sofrimento, pois melhoram a autoestima e até mesmo promoverem reintegração social. Nesses casos, o ideal é procurar um esporte coletivo para que haja contato com outras pessoas.

3. Evite comer ou beber em excesso e dê preferência aos alimentos que estimulam a produção de serotonina, como a banana, o salmão, o queijo, as nozes e os ovos, que são ricos em triptofano.

4. Evite ficar se comparando com outros, principalmente nas redes sociais. Lembre que a mídia utiliza um “ideal” de felicidade, então, você não precisa daquele padrão para ser feliz. Postagens que exaltam sucesso financeiro, amoroso e social acabam despertando em algumas pessoas sentimentos de comparação, causando um quadro depressivo. Vale lembrar que as redes sociais são um recorte da vida real — ninguém é feliz 24h por dia, 7 dias por semana. Todos nós temos problemas e dificuldades na vida. Mas, se alguns posts costumam te incomodar e te colocar “para baixo”, diminua a frequência de uso das redes sociais e ocupe o tempo fazendo atividades que lhe tragam prazer.

5. Foque nos pensamentos positivos e valorize suas conquistas, por menores que pareçam. Agradecer e valorizar o que você possui gera um sentimento de felicidade. Foque nas soluções, não nos problemas. Por exemplo, se você está sozinho e não te amigos, faça uma viagem ou algo que lhe seja prazeroso. Exercite a caridade, vá visitar alguém doente ou que também possa estar sozinho, tento certeza que isso vai te fazer bem e mudar o seu sentimento.

6. E não menos importe, peça perdão! Muitas pessoas cultivam magoas ou orgulho em seus corações e mentes, isso faz mal para si mesmas. É mais inteligente usar o momento e criar um encontro para tentar desfazer mágoas e reparar laços afetivos. Às vezes, o outro também está esperando uma oportunidade para recomeçar uma relação familiar interrompida e começar o ano com o coração limpo, com toda a certeza, vale muito a pena se reinar a sinceridade neste reencontro.
 
Caso você siga essas dicas e não perceba alguma redução dos sintomas, procure profissionais de saúde que possam auxiliá-lo a sentir-se bem, independente da data ou desafios. Afinal, o objetivo de vida do ser humano é ser feliz. Independentemente de qual seja sua situação, você pode aproveitar o Natal para cuidar das suas emoções e assumir o controle da sua vida.
 

Autoria: Rangel Lima - Psicólogo e Master Coach






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